29.9.10

Grace Kelly


Ninguém me passou #meme nenhum, mas resolvi deixar claro alguns aspectos aleatórios da minha vida:

- Nasci com Bronquite alérgica e um defeito nos joelhos, chamado Geno Valgo, ou seja, minhas pernas são tortas.

- Até os 2 anos de idade vivia entrando e saindo de hospitais, em constante atendimento de nebulização, depois passei a ser tratada com homeopatia.

- Até os 2 anos e meio de idade usava botas ortopédicas. Deixei de usá-las depois que meu ortopedista morreu.

- Fiz Natação pra corrigir os joelhos. Peguei uma infecção na piscina e perdi 10% da minha audição. 

- Fiz balé classico dos 5 até os 11 anos de idade. Juro.

- Fiz estágio na Fiocruz, aos 18.

- Já vendi pastel. Em uma feira católica.

- Nunca colei em prova alguma, mas já passei cola errada para uma turma inteira.

- Visitando Recife, entalei minha mão em uma caixa de doações para reparos, tentando pegar de volta uma nota de 20 reais que eu mesma havia colocado. Era pra ser R$ 2,00, mas só percebi que troquei as notas depois que depositei.

- A nota de R$ 20,00 ficou lá, depois que o padre começou a pigarrear atrás de mim.

- Já tive um cone de trânsito enfiado na minha cabeça. Juro.

- Eu tenho alergia a coco. Até água de coco.

- Nunca roubei balas em lojas, mas comia o lanche da professora.

- Já fiquei presa em uma casa de bonecas.

- Quebrei o nariz ao pular de um escorrega. Argumentei que era a Mulher Maravilha e pulei. Descobri duramente que a Mulher Maravilha não voa.

- Faço artesanato ocasionalmente. Me acalma.

- Já me apresentei 2 vezes no teatro. Em uma delas, vestida de cogumelo.

- Já li "O Capital" de Karl Marx completo e não curti muito. Não conheço pessoalmente nenhuma outra pessoa que declaradamente tenha lido os 5 volumes. 

- Já desfilei em uma escola de samba e odiei. 

- Sou acrofóbica.

- Eu bati no Praga no Programa da Xuxa. Fui segurada pelo Dengue e duas paquitas.

- Fiquei menstruada pela primeira vez assistindo o filme "Gandhi" com Ben Kinsley.

- Já fui demitida por xingar minhas chefes no Orkut.

- Já fui pisada pelo Henri Castelli (ou alguém idêntico a ele). Eu estava deitada na grama no Rock in Rio, ele passou e pisou na minha mão.

- Já fui processada.

- Já chifrei alguém e muito provavelmente, já fui chifrada.

- Nunca entrei em um chat pessoal. Também nunca liguei para nenhum disk-alguma coisa, exceto disk-pizza.

- Já fui entrevistada pelo Ibope. Duas vezes.

- Estudei latim. De livre e espontânea vontade.

- Fiquei 16 hrs e meia em uma fila. Ingresso do U2 em 2006.

- Já fugi de casa, aos 12 anos. Voltei 4 horas depois, de táxi. Minha mãe pagou a corrida.

- Fiz curso de pintura em estátuas miniaturas. Até hoje não sei porquê.

- Reprovei 7 vezes em Economia. Meu pai é economista.





Essa lista não faz o menor sentido.

Precisa?

16.9.10

Wild Wild Life - I


 






















Fonte: Google

The Time Of The Turning (Reprise) - The Weavers Reel


Durante muito tempo eu sentei à margem dos trilhos e esperei por um trem. Com a esperança de pular, não na sua frente como muitos pensam, mas para dentro. Para sempre.

O medo que me paralisava era camuflado pela desculpa de que precisava entender como ele funcionava, e assim o fiz: estudei todo o trajeto, observei calmamente a sinuosidade de suas curvas, os pequenos e grandes barulhos que fazia, o que queimava, o que produzia, o ritmo de seu movimento contínuo e seu compasso, aqueles que o colocavam em movimento, o que o movia e o que o parava. Cada desvio, cada parada, cada avanço.

Ainda assim mantive, por medo ou por precaução, a ressalva de que sempre estaria limitada a não saber tudo. Não existia, e nem nunca existirá, a possibilidade de entender tudo.  Porém tomei o cuidado de enxergar não só o cenário, não só uma viagem; mas todo o contexto, toda a imagem - sempre dentro da possibilidade de minhas próprias limitações.

Para isso perdi inúmeras chances de embarcar - assisti imóvel e ansiosa cada vez que o trem passava por mim, à espera de um sinal de que meus movimentos seriam precisos e o salto, definitivo.

Porém a ansiedade que agora me consome é maior do que todas as vezes anteriores. A chance não se repetirá e a probabilidade de erro é gigantesca, mas é chegada a hora de tentar.

Preciso saber se sou capaz, preciso saber se o salto terá sucesso ao invés de apenas esperar e observar.

No fundo, admito que sempre soube que a hora certa chegaria muito tarde, que o tempo afiaria lentamente sua faca e somente na ameaça do golpe final, o sinal chegaria.

Mas ainda não sei se terei sucesso. Se perder essa chance, não haverá outra. Só me restará voltar ao ponto de partida e dormir o resto de todas as noites de minha vida. 

Por hora não posso dormir. 

Os obstáculos não são tão grandes que não possam ser superados, mas como em todo desfecho de volume, são aglutinados em uma tentativa desesperada de criar miragens que me distraem do único objetivo que tenho.

Se não tentar, passarei o resto dos meus dias atormentada pelo barulho do trem. Se conseguir embarcar, ainda assim posso ser jogada pra fora a qualquer momento. 

Se acertar, encerro um tomo de capítulos da minha vida e estarei pronta para começar um novo.

Talvez nunca consiga, mas algo me diz que o momento chegou. A resposta só virá ao longo das próximas semanas.

Preciso me preparar, por que o trem se aproxima. 
 


Did you see it move?
There's something there
It's in this very cloth that I weave
In the most peculiar ways that we behave

It's the time of the turning and the old world's falling,
Nothing you can do can stop the next emerging.
The time of the turning and we'd better learn to say our goodbyes.

It's the time of the turning and there's something stirring outside..,
If you stop for a moment you can feel it all slipping away.
It's the time of the turning and the old world's falling,
Nothing you can do can stop the next emerging.
 
Time of the turning and we'd better learn to say our goodbyes...

11.9.10

Ein Stern (...der deinen Namen trägt)


Esse post nem precisa de muita explicação.

Kesslers Knigge (algo como As Regras de Etiqueta do Kessler) é uma série de esquetes curtas do humorista alemão Michael Kessler, cada uma com 10 regras sobre comportamento em situações cotidianas.

NSFW.













São 97 vídeos no total (que podem ser encontrados aqui).


Não me perguntem porque foi legendado em Português por um Fórum sobre o Corinthians, mas fica o agradecimento pelo trabalho. ;)

3.9.10

Life on Mars?

Menos de 10 minutos após a postagem anterior, esbarrei com a Sam (prima-amiga-irmã, não necessariamente nessa mesma ordem) no G-talk. Não deu pra fugir do assunto que tem predominado todas as minhas conversas atualmente.

Semana passada ia postar aqui sobre a reunião e balada com meus velhos amigos, sobre como todos sentamos e reclamamos das mesmas coisas que venho reclamando aqui "Falta de Tempo", "Problemas acumulando por todos os cantos", "Cansaço", "Dificuldades", etc. Mas me senti um pouco samba de uma nota só e evitei falar; inclusive sobre como às 3 da manhã todos já queriam ir embora.

A grande questão é que ainda não envelhecemos. Não o suficiente. Nem tanto fisicamente, mas um tanto quanto mentalmente, talvez. Mas de alguma forma, não nos tornamos aquilo que esperávamos de nós mesmos há 10 anos atrás. #LegiãoUrbanaFeelings

Mais que os outros, sinto as bolhas de pressão social sobre a minha cabeça - ainda não completei os ritos de passagem finais da juventude rumo a fase adulta: Não casei, não me formei (ainda), não tive filhos, não moro sozinha, não sou dona do meu próprio nariz, não pago meu IPTU. Porém, um pouco mais que eles, abri mão publicamente de alguns desses itens em troca de outros objetivos. Isso não me torna melhor que ninguém, mas me torna um pouco menos desesperada, afrouxa um pouco as amarras cotidianas. As que escolhi em troca, não me apertam tanto, pois a maioria da população mentalmente sã deste país as considera irrealizáveis.

Já eu as considero indispensáveis à minha existência.

Essa equação sobre o peso dos problemas e escolhas também faz parte da vida das pessoas conhecidas que se permitiram ousar um pouco em suas escolhas, em maior ou menor grau. Ter um Why, visualizar um objetivo, por mais que seja absurdo ou extremo, dá um sentido especial as sub-rotinas tediosas e consumidoras de energia vital. Uma espécie de bateria extra que empurra contra a corrente. Mesmo assim, tem dias que cansam, que esgotam e parece ainda mais duro ter que fazer o contrário daquilo que todo mundo faz. As vezes me pego invejando o Aurea Mediocritas alheio, seduzida por seu manto acolhedor e confortável.

Mas que conforto é esse, se olho em volta e vejo que aqueles que cederam sem maiores questionamentos parecem ainda mais infelizes do que eu?

Ceder é fácil. E quando falo em ceder, não falo simplesmente em escolher um ou outro item da lista de "adultos responsáveis" e mesclar aos seus próprios ideais e caminhos. Falo daqueles que compraram o pacote pronto, sem questionar por um segundo se seriam felizes com o que fazem. Não adaptam suas escolhas à realidade e sim compram a realidade como se fosse sua única escolha. Cursam faculdades sem questionamentos, relacionam-se sem grandes paixões, trabalham sem grandes objetivos, não escolhem móveis - escolhem prestações, não escolhem filmes - escolhem bilheterias, não escolhem livros - escolhem coleções de lugares comuns, não escolhem viagens - escolhem excursões, não vivem aventuras - passeiam, não criam os filhos para o mundo - criam novas versões inseguras de si mesmos, não mudam o mundo, não criam novas palavras, não enxergam contextos nem tem visão do todo. Não vivem, apenas existem.

Agora por apenas alguns segundos, ignore toda a superioridade arrogante do parágrafo anterior... Não vou questionar por que cada um de nós faz as escolhas que fazemos, isso é pessoal e intransferível (aqueles que transferem aos outros as escolhas que fazem são covardes demais para serem considerados), mas escolhemos por que em algum momento, nos pareceu a melhor opção. Os custos dessas escolhas se mesclam aos custos sociais-culturais-emocionais da vida humana diária. Isso é a vida. Então por que não conseguimos realizar 100% daquilo que nos propomos? E, principalmente, por que estamos sempre tão esgotados?

Parece que envelhecer tem algo a ver com elevar parâmetros, então a conquista pequena já não dá tanto prazer, o pouco não satisfaz, os padrões baixos não despertam interesse. Não temos paciência pros mesmos velhos esquemas, nem pras mesmas desculpas. Fazendo ou não aquilo que amamos, vivendo ou não com aqueles que amamos, precisamos de um pouco mais do que antes. Baixar nossas expectativas e desistir dos sonhos só aumenta a frustração. O Aurea Mediocritas parece menos com paisagens bucólicas e mais com um inferno em vida.

Falando com a Sam hoje, acompanhando a discussão do Dan (no blog dele, sobre relacionamentos), conversando com meus amigos na semana passada, lendo outros textos (alguns muito bons aqui) cheguei basicamente a  algumas conclusões (provisórias, sujeitas a alterações em caso de acúmulo maior de maturidade) que:

1- Ter objetivos claros e escolhas fora do comportamento padrão ainda é melhor que simplesmente seguir o fluxo.
2- Aceitar qualquer coisa, só por aceitar (principalmente quando se fala de parceiro-namorado-amante-noivo-marido) é ainda pior que ficar sem. Que é melhor ter alguém que te desafie que alguém que te prenda.
3- Por mais cansativos que sejam os obstáculos, se você consegue resolvê-los e continuar a enxergar seus objetivos, você está no caminho certo.
4- Todos temos um preço a pagar. Se o preço for baixo, os juros aparecem em forma de furstração. Se for muito alto, temos que parcelar e o tempo de espera tem taxas de desespero embutidas.
5- Baixar os padrões de escolha e "finalmente aceitar" aquilo que lhe disseram a vida inteira, não vai te fazer feliz. Apenas vai deixar os outros com a falsa idéia de que eles estão certos sobre a sua vida. E sua consciência vai gritar que todos estão errados, inclusive você que cedeu.
6- As pessoas que verdadeiramente realizaram algo não pensavam em benefícios - carro, dinheiro, estabilidade. Pensavam em sonhos, em fazer alguma coisa diferente, em mudar o mundo.  Isso inclui tanto São Francisco de Assis quanto Walt Disney.
7- Invariavelmente todos nós ficamos cansados ou frustrados. Conformismo é somar cansaço e frustração.
8- Não posso reclamar da vida. Me ocorreu que vivo uma rotina de Gladiador (ironia define): Entro na arena, mato o leão, volto pra casa... Next day, all over again. E se der mole... Nhac! Porém enquanto estou ganhando do Leão, as coisas não estão tão ruins assim.

Foi por isso que falei de sorte no post anterior. Na hora não imaginava que acabaria vindo aqui novamente para continuar o assunto, mas realmente tenho me considerado sortuda. No sentido de que meus leões morrem dia após dia e as escolhas que fiz continuam esperando por mim. 

Vai ser um alívio quando chegar o dia em que poderei estender minha mão e ver cada uma das bolhas de pressão social que pairam sobre minha cabeça explodirem uma a uma com um simples toque. Acho que internamente elas já foram pulverizadas.

Até lá continuaremos todos cansados, querendo mais da vida, do trabalho, dos relacionamentos.

Mas, se possível, nunca frustrados.



We are all in the gutter, but some of us are looking at the stars.

Oscar Wilde
(Lady Windermere's Fan, 1892, Act III)

I Should Be So Lucky

sorte (sor-te)
s. f.
Destino, fado, fatalidade: queixar-se da sorte.
Fortuna, dita, ventura, felicidade.
Maneira de decidir qualquer coisa por acaso; sorteio: muitos magistrados de Atenas eram escolhidos por sorte.
Práticas que consistem em palavras, gestos etc., com a intenção de fazer malefícios: a sorte operou de modo fulminante.
Fig. Desgraça, infelicidade persistente, azar.
Classe, gênero, espécie, qualidade: toda sorte de animais.
Modo, maneira, arte, fôrma: agindo de tal sorte, vai sair-se bem.
Sortimento, variedade.
Bilhete ou senha com a declaração do prêmio que se ganhou em jogo de azar.
Porção, quinhão que toca por sorteio ou partilha.
Sorte grande, o maior prêmio da loteria.
A sorte está lançada, a decisão foi tomada.

loc. conj. De sorte que, de maneira que, de modo que, de tal fôrma que.

loc. adv. Desta sorte, assim, deste modo.



Minha definição atual de sorte?

 

Chegar ao final do dia ilesa, não importa o tamanho do problema. 
E de preferência, mantendo a pose.


Fontes: DicionárioWeb e 9gag