6.12.11

Come Undone


Engraçado.

Procurei se já tinha postado essa música antes e curiosamente ela nunca passou por aqui. Estava com a nítida impressão de que sim, afinal é uma daquelas que volta e meia são retiradas do fundo do baú.

Talvez não postei antes por que a reação que ela evoca ainda não era definitiva. 

Agora é.

Desculpem o post vago, intimista e pseudo-poético. Voltaremos em breve com a programação normal.


Words... 
Play me deja vu, like a radio tune I swear I've heard before.
Chill, is it something real, or the magic I'm feeding off your fingers?


Can't ever keep from falling apart 
At the seams.
Cannot believe, you're taking my heart to pieces.
Lost... 
In a snow filled sky, we'll make it alright to come undone.
Now we'll try to stay blind 
To the hope and fear outside.
Hey child, stay wilder than the wind
And blow me in to cry...


Who do you need ?
Who do you love?
When you come undone?

4.12.11

Marry the Night


Sei que Lady Gaga é um assunto já batido e muitos já enjoaram do surrealismo de boutique dela.

Eu meio que gosto.

Acho criativo e divertido quando não esbarra na pretensão.

A faixa-título de hoje é um oferecimento de Madam Gaga, que pirou no Faroeste Cabloco Pomba-gira e fez um clipe de 14 minutos - nada demais, se não fosse o que li na Folha.com:


"Marry the Night", o quinto single de seu álbum "Born This Way", mostra a artista ganhadora do Grammy sendo levada para o hospital, agonizando com seu cabelo verde, jogando cereal sobre seu corpo nu e pendurada de cabeça para baixo em um carro --tudo em oito minutos antes de a música começar.
Gaga, de 25 anos, disse ao E! News que o vídeo surreal, lançado na quinta-feira, era um retrato do dia em que ela pensou ter visto seus sonhos morrerem, quando foi dispensada de sua primeira gravadora.
Foi, segundo ela, "um dos piores dias da minha vida", mas acrescentou que partes do vídeo foram "destinadas a ser cômicas".
A revista "People" chamou o vídeo de "um enigma" e disse que o clipe autobiográfico irá "certamente deixar os fãs falantes, se não coçando suas cabeças."

Na verdade nem é pelo comentário da Folha, mas da revista People - Enigma? Onde?

O clipe é até meio óbvio - fui chutada da gravadora, tomei qualquer coisa, fiquei doidona, resolvi me montar e sair por aí me vestindo como: a) Figurante de clipe do George Michael, b) Cosplay de Madonna em "Procura-se Susan Desesperadamente" ou c) "Mad Max e a Cúpula do Trovão" meets "Super Máquina".

O que me preocupa mesmo é que cada vez mais a coerência e a contextualização estão indo pelo ralo. Se não na criação artística, na interpretação das mesmas. O sujeito cria um conceito artístico - mesmo que não seja exatamente profundo ou com referências sutis e metáforas bem-elaboradas - e na hora de ser "lido" pelo público ou pela critica acaba nem passando isso. Quaisquer meia dúzia de elementos fora de padrão já colocam o cara como confuso ou enigmático. 

O defeito então é de quem? Do artista, que falhou em passar sua mensagem? Do público, que não tem discernimento para enxergar a mensagem? Ou da crítica (leia-se jornalistas e cronistas) que não conseguem mais se concentrar no eixo central da contextualização e se prendem (perdendo-se) em elementos aletórios?

A impressão é cada vez maior de uma Downward Spiral (sei que já usei isso antes), onde se mastiga a mensagem, ela continua sendo ignorada (ou perdida, não-entendida) e mastiga-se ainda mais ao ponto de perder toda a construção que poderia ser feita, sacrificando a coerência no embalo.

Não que a mensagem de Gaga seja extremamente profunda ou bem-elaborada, mas explicar as próprias metáforas ou piadas está tornando o trabalho dela ainda mais raso. E ainda passa a imagem de "enigma".

Fica a pergunta, pautada no Paradoxo de Tostines: "É enigmática por que ninguém entende a explicação ou ninguém entende a explicação por que é enigmática?"

Sinceramente, não achei nada assim tão ininteligível. Ou sou eu que contextualizo demais?


Detalhe - ela explica o vídeo.

Haja mastigação.