31.7.10

Hunter

Procura-se homem de acordo com a descrição do retrato falado abaixo. 

Recompensa alta e sigilo absoluto.


30.7.10

Hurt

Só pra fechar o dia. 
Amanhã o mundo volta a ser colorido.


Acho.

The First Time

Hoje eu tentei, mas a sensação de algo entalado na garganta não foi embora - tentei me animar, depois tentei cozinhar e queimei a comida, tentei fugir do óbvio e não consegui equilíbrio, tentei sair e não consegui distração, tentei focar e não consegui fugir da angústia, tentei 2 vezes postar algo aqui: uma coisa leve e uma pesadinha, mas continuei a sentir que não tinha falado o que queria. Movi objetos de lugar, mudei paisagens, mudei fotos, mudei fundos e layouts. Nada me renovou.

Como não tenho a menor pretensão em ser algo que não sou... Mentira, tenho sim. Mas a pessoa que gostaria de me tornar não precisa necessariamente ser inteligente, nem soar descolada, nem servir de modelo a ninguém; então não preciso apagar meus erros, nem disfarçar com estilismos o que por natureza não tem estilo algum. Ou seja, por mais que não queira ser eu mesma, no fundo não preciso deixar de ser.  


O que eu preciso é a paz de espírito que nunca tive. Perdi em algum lugar, muitos anos atrás e nunca mais voltou. Eu era criança ainda e, talvez, não soubesse como achá-la.  Depois disso, na verdade nunca soube como procurar.

A divisão do dia em horas, dos dias em meses, dos meses em anos nada mais são que abstrações culturalmente impostas para efeito de contagem, classificação e ordenação. Nos acostumamos e vivemos em ciclos. 

Julho é a pior parte do ano pra mim.

Mentalmente repito que não há racionalidade alguma nisso, que os eventos passados e suas ocorrências não representam nenhuma conjuntura. Coisas piores já me aconteceram em outros meses e, de acordo com a astrologia, nem sequer é meu inferno astral.

Mas se vivemos em ciclos, onde cada Janeiro é um recomeço, Julho é meu inferno emocional. Ou melhor: é o mês do ano onde sou afetada por uma espécie de baixa imunidade psicológica, onde meu inconsciente invade sorrateiramente meu cotidiano e prega peças. Ele invade e mina minhas resistências, arrasta meus dias me mantendo presa a círculos viciosos de lembranças que jurei trancafiar.

As invasões, como em qualquer ataque viral, tem sintomas específicos que aparecem aos poucos: noites de sono longo e ruim, confusão de lembranças aleatórias pontuais - geralmente de coisas insignificantes como uma música, um cheiro, um objeto, um dia comum onde eu estava fazendo algo relativamente banal - como se minha mente achasse um pedaço único  solto de um quebra-cabeça de 3 mil peças e se desse ao trabalho de apresentá-lo, a título de pista para as 2999 que faltam. Logo começam a aparecer as peças maiores e junto com elas um misto paradoxal de sensibilidade extrema e insensibilidade externa.

Na primeira vez que isso aconteceu eu não tinha nenhum anticorpo, e caí doente. Literalmente. A vida cotidiana segue seu rumo e, inexorável como é, não permite nenhum alarde nem tempo para que se monte um quadro mental lento e doloroso. Apenas quando o corpo não aguenta mais o ataque cerebral é que o tempo perdido se torna justificável. A neblina ganha nome e personalidade: depressão.

Todo mundo tem... Todo mundo passa por isso... Todo mundo toma remédio e continua vivendo, como se nada tivesse acontecido... Pobres não tem depressão, não tem tempo suficiente pra isso... Fulano já teve e não aconteceu nada... Você exagera tudo, fica difícil acreditar... Isso é tristeza, com um nome bonito... Só serve pra vender remédio... O que importa é que você está viva...

Estou?

Nos anos seguintes tratei de tratá-la. E, como já havia gasto tempo demais (tempo, precioso tempo... Tempo é dinheiro...) não era mais justificável perder tempo com isso.

Tempo, tempo, tempo, tempo. 

Essa palavra virou a lâmina da guilhotina que paira sobre a minha cabeça, ameaçadora. O tempo perdido, um débito permanente.

Mais alguns anos empenhada em tentar viver e me ocupar com o comum para fugir do incomum. Me intoxicar de cotidiano como remédio e anticorpo. Funcionou razoavelmente e, nos Julhos que se seguiram, o quebra-cabeça ganhou uma caixa no fundo da minha consciência, quase totalmente montado, esperando poucas peças.

Mas, nos últimos anos, a - idade, cansaço, fraqueza dos velhos anticorpos, you name it  - deixaram escapar a defesa e como um vírus que desenvolve resistência aos tratamentos administrados, os ataques recomeçaram.

Neste Julho os sintomas estão tão claros que algumas vezes me peguei pensando se voltaria pro quarto escuro onde passei aquele primeiro Julho, o Julho de 1999, que na companhia de mais 8 ou 9 meses lentamente me deixaram inerte e semiviva. Pensei nos remédios que nunca tomei e nas instituições que nunca frequentei. Pensei em todos os cigarros que já fumei, em todas as noites que perdi. Pensei também na luta que tive contra esses meses de 1999 e 2000 e como ganhei deles: colocando cada peça, dolorosamente em seu devido lugar. As poucas que restaram, não precisava pois a imagem já era visível o suficiente e eu não tinha mais forças pra achar as que faltavam.

Eu não tive 18 anos. Minha vida pulou dos 17 para os 19, como um vinil arranhado antes de sua primeira execução. Esses arranhões foram causados, junto com outros, em um Julho muito distante, que hoje eu conheço como o Julho onde perdi minha paz de espírito. O Julho de 1990.

Mencionar isso me corrói por dentro e destrói tudo por fora, por que eu queria que Julho tivesse os outros significados que deveria ter - o aniversário da minha mãe, o mês onde comecei a namorar pela primeira vez, todas as férias de verão - mas não consigo. Por mais que eu tente, Julho é sempre Julho e alguma coisa se partiu tão violentamente naquele Julho de 1990 que nenhum outro Julho ficou intacto. 

Hoje eu tive que ajoelhar no fundo da minha mente e puxar essa caixa empoeirada, abri-la cuidadosamente e olhar pro quadro quase completo. Há muito tempo deixei de tentar termina-lo, mas não quero voltar ao quarto escuro, não quero sucumbir a nenhum remédio, nem perder mais tempo de vida. Também não quero terminar de montá-lo. Não faz o menor sentido tentar entender o porquê daquela imagem. Ela existe, sei como ela foi impressa, sei como se partiu, mas não quero saber o porquê. Não preciso disso.

Então o que me resta é perder apenas alguns minutos, talvez uma hora ou duas, antes de fechar novamente e recolocá-la no lugar onde ela sempre esteve. Antes que alguém pergunte, o motivo é simples: a crueldade maior desse quebra-cabeça é que se eu, um dia, terminar de montar, não significa que eu ganhei. Pelo contrário, se eu montá-lo, ele venceu. 

Eu não posso deixar ele vencer. 

Nunca.


My father is a rich man.
He wears a rich man's cloak.
Gave me the keys to his kingdom (coming), gave me a cup of gold.

He said: "I have many mansions

and there are many rooms to see."
But I left by the back door
and I threw away the key...  I threw away the key...
Yeah, I threw away the key!

And for the first time,
I feel loved.

Who's Gonna Ride Your Wild Horses





You're dangerous 'cause you're honest
You're dangerous, you don't know what you want
Well you left my heart empty as a vacant lot
For any spirit to haunt


Hey hey sha la la
Hey hey

You're an accident waiting to happen
You're a piece of glass left in a beach
Well, you tell me things I know you're not supposed to
Then you leave me just out of reach 

 
(...)
Who's gonna ride your wild horses?
Who's gonna drown in your blue sea?
Who's gonna taste your salt water kisses?
Who's gonna take the place of me?




Por que me deu vontade.

29.7.10

Segue sua Nau


Sei que já tinha colado o link no Twitter, mas não deu pra resistir:


Qual a diferença entre Lutero e o Kant?
Um é Iluminista, o outro Protestante

12.7.10

Wavin' Flag














 



















#ChicoXavier_2014

7.7.10

Everything's Just Wonderful


Ah, nada como o som do silêncio segundos antes do caos... To completamente ferrada de trabalho e acabo de descobrir que tenho uma prova da qual não fui avisada. Estava preparada para 4 avaliações, mas aparentemente serão 5. 

Delícia.

Justo quando estava achando que finalmente havia aprendido a manejar melhor meu tempo, descubro que as pendências escalam em proporção aos meus progressos. A boa e velha teoria do HD/Geladeira - quanto mais espaço, mais você acumula. E metade são só inutilidades.

Parece que mal ou bem nunca saio do mesmo ponto - organização, tempo e resoluções. Como se eu estivesse presa em um eterno dia 01 de Janeiro: listo o que vou fazer, não consigo fazer metade e me prometo que nos dias seguintes cuidarei disso. Só que no dia seguinte volto ao ponto de partida com novas listas, novas pendências.

Ultimamente venho sendo mais realista em termos de coisas que me ocupo e consegui pelo menos chegar ao fim de alguns dias (lá pelas 3, 4 da manhã) com tudo resolvido, mas quando acordo no dia seguinte a lista tem o dobro de tamanho. 

Resultado: tenho dormido menos de 6 hrs por dia nos últimos 4 meses. Quando consigo, tiro uns cochilos no meio do dia que não duram mais de 1 hora e meia ou 2 horas, o que tem me ajudado bastante a segurar o tranco. O efeito colateral é que todo mundo que me liga pergunta (as vezes em tom de deboche) "Te acordei?" 

Como se eu não fizesse outra coisa da minha vida.

Já sei que boa parte disso se dá pelo meu desvio de atenção e milhares de coisinhas inúteis das quais me ocupo no meio das tarefas importantes. Falei disso ontem e continuo no mesmo assunto, por que parte de mim acredita que essas "voadas" são necessárias para manter a mente sã, outra parte (a carrasca BDSM interna que tenho por consciência) me pune por falta de objetividade e espírito de criança que presta atenção na aula, até ver uma mosca no vidro e se perder.

Não, creio que não tenho DDA. 

Meus desvios acabam sempre na mesma desculpa: Ah, eu tinha que dar uma olhada nisso, uma olhada naquilo, senão... A mosca no vidro ficou na infância, mas hoje em dia são as redes sociais, o celular, os sites de "avisos" (novas vagas de emprego, novos episódios de séries, novos mangás, novos downloads e qualquer outra forma de list managing), os e-mails, os jornais, os blogs, os lançamentos e futuros consumos, os __________________ (insira qualquer outra coisa aqui). E lá se vão horas preciosas do meu dia.


Além disso minha total falta de isenção em problemas alheios e egoísmo de sobrevivência. Explico: se tem alguém com um problema, a Madre Teresa de Calcutá aqui se prontifica e parte pra dentro sem nenhuma noção se vai conseguir ajudar ou não. Na maioria dos casos não consigo, atrapalho mais que ajudo e ainda me sinto pior ainda. Sindrome de Atlas,  bate lindona e panaca. As vezes chego a admirar quem vira e diz "Problema é seu, se vira"  -  Mas a resolução do egoísmo de sobrevivência não dura mais que uma volta no aquário e, peixinho dourado que sou, já me pego dizendo Quer ajuda nisso? O que eu posso fazer por você?.

Impressionante como isso, combinado a minha patetice, as vezes me coloca em situações  maravilhosas como sair de casa com uma mão com esmalte vermelho e a outra nada, uma meia de cada pé, ir de chinelo pra faculdade, guardar a garrafa de café na geladeira, junto com o controle remoto (e as vezes o celular também), de passar um dia inteiro com a etiqueta pendurada na roupa ou a roupa do avesso (eu disse um dia inteiro. i-n-t-e-i-r-o), desenvolver estratégias de tomar café/lanchar/almoçar no ônibus/táxi/carro, apagar por acidente 30 gigas de música por que clicou na pasta errada, pentear o cabelo no ponto de ônibus, comprar uma bolsa no meio da rua para carregar coisas por que a  que estava em uso estourou de tanto peso, de esquecer celular/guarda-chuva/qualquer coisa em qualquer lugar, de chegar na prova de hoje com a matéria errada (a prova era com consulta) e sem nenhuma caneta na bolsa, pagando o mico de pedir emprestada ao monitor da turma.

Tudo isso descrito acima pode acontecer com qualquer um, mas eu só descrevi os eventos dessa semana. 

 Hoje é quarta-feira.


Ainda vou dar alguns murros em vão até achar uma saída. Mas tem que ser urgente. Tipo Primeiro lugar da lista.




Ps: Mudei de novo o layout do blog. Ontem mexi durante a madrugada e não me toquei que ficou igual bem parecido com o do Tony Goes. Como é um blog que adoro e respeito, mudei de novo. Vai ficar um tempo coloridinho até eu acertar um novo layout. Mas essa ferramenta nova é bem divertida mesmo.

6.7.10

Beginning To Get To Me

Só para completar o post anterior, dois pedaços de verdade pura:





Créditos: Stuff No One Told Me (but I learned anyway) Vale a visita.

That's How People Grow Up


A lingua inglesa possui uma expressão: old habits die hard.

Estava prestes a fazer uma besteira, os dedos já prontos, o plano traçado, a pesquisa prévia, tudo certo para dar tudo errado. Seria simples rápido e talvez com sorte, eficaz.  Mas como tudo que pode ser descrito como desnecessário, envolvia uma perda de tempo enorme em um esforço talvez sem sorte, inútil.  

Ok, todo mundo sonha com uma chance de se vingar. Idiota quem não assume esse sentimento, e principalmente quando a chance se apresenta tempos depois - dando sentido total ao tíltulo de "prato frio que se come quente" - O que você faria?

Tem dias que acordo querendo ser mais malvada, ter mais culhões do que os atuais, ter poder, de calçar botas de couro imaginárias (ou não) e entrar pisando duro em um ambiente e prender todos os olhares, de triunfar gloriosamente tripudiando da desgraça alheia - Tudo o que não sou e provavelmente nunca serei.

Covardia é meu segundo nome? Não, não é. 

A questão é simples. No momento em que me encontrava com a merda na mão e o ventilador na frente me ocorreu que o tempo que levaria fazendo isso era exatamente o tempo que faltava para outras coisas. Minha vida atual é um constante acúmulo de coisas a fazer - mato 3 leões por dia e ainda sobram 10 novos a matar - Com isso o tempo que preciso vai sendo subtraído do tempo de lazer, do tempo de descanso, do tempo com os amigos, do tempo de prazer, do tempo de pensar e cuidar de mim mesma. Tempo é uma mercadoria de luxo ultimamente e me peguei pensando se valia a pena perder tempo com vingança. 

A primeira vista parece com discurso de legitimação para minha fraqueza, daqueles de superioridade - outra coisa que não faço e provavelmente nunca vou fazer.

Continuo sendo a mesma porcaria de sempre, continuo não me sentindo superior a, nem invejando ninguém; por outro lado continuo a perder tempo com coisas inúteis e desnecessárias e acumulando necessidades adiadas. Eu nem sequer poderia entrar na internet hoje e por alguns bons minutos achei que a sorte tinha me servido de garçonete, mas pensando melhor, a equação não fechava: Importância do fato < Tempo a perder = Tempo de vida. Não que minha vida seja lá grandes coisas, mas é a única que tenho por enquanto. 

O que fiz foi desistir, fechar tudo e respirar. Vivo me prometendo mais tempo, mais cuidados, mais amigos por perto, menos stress (sim, eu escrevo assim) e maior organização. O que provavelmente alguns chamariam de covardia, eu chamo de prioridades.

Meu velho hábito de voar pra longe em momentos de tensão me manteve insone, então resolvi inverter o jogo - resolver pendências, descansar mentalmente, escrever e reformular o blog um pouco (o template antigo estava me incomodando), ouvir música e relaxar.

Tenho 28 anos e uma vida a resolver, não vou perder tempo pisando em ninguém - nunca fui assim e provavelmente nunca serei.


Então o que posso dizer pra você, que escapou da minha talvez patética tentativa de vingança, da chance que tinha (e ainda tenho) de te mostrar umas verdades? Você provavelmente rirá de mim e dirá que eu não tenho nada a dizer, que não posso te atingir nem te fazer sofrer, certo? Já esperava que você dissesse isso e sinceramente não estou nem um pouco disposta a ouvir. Então só posso te dizer o seguinte - são as escolhas que fazemos que demonstram o que somos, não nossos discursos. São as ações, não as palavras. Mentir pra si mesmo não nos torna melhores, só mais patéticos. Escolher não se vingar, escolher não fazer nada a não ser cuidar da minha própria vida não demonstra minha fraqueza - demonstra minha força. A força de enxergar meus próprios defeitos e minha própria idiotice. Fortes não são aqueles que se acham belos, fortes, poderosos, que precisam se auto-afirmar o tempo todo - são aqueles que reconhecem seus erros e admitem pra si mesmos.

That's how people grow up.